Cisto de Penas em Canários

Cisto de Penas em Canários. O presente artigo relata a ocorrência de “Cisto Epidermoide” (“Cisto de Penas” ou “Bola”), em canários das raças “Norwich” e “Gloster”, de caráter hereditário ou induzido por traumas, encontrando um fechamento do folículo e a presença de um conteúdo queratináceo. O tratamento mais eficaz é através da remoção cirúrgica, por um especialista capacitado na área (médico veterinário), para não haver a possibilidade de hemorragias em vasos sanguíneos ao redor do cisto.

cisto de pena em canários

Há também relatos de casos para o tratamento de cistos de penas com 0 uso de medicamentos na água de beber (bebedouros) e na farinhada. Um fator importante é a retirada dessas aves da reprodução.

INTRODUÇÃO – CISTO DE PENAS EM CANÁRIOS

O que é “Cisto de Penas” ou “Bola”?

Uma massa firma encontrada geralmente no topo da asa, que consiste em uma pena encravada que continuou crescendo, enrolou-se e formou uma bola sob a pele. O folículo se apresenta muito distendido e inflamado sobre o cisto.

O cisto de penas ou “caroço hereditário” em canários pode ser hereditário ou induzido por traumatismos no desenvolvimento anormal do folículo e da haste da pena se curvando para dentro da epiderme.

O cisto epidermoide também é denominado como cisto de inclusão epidérmico ou cisto infundibular. Os cistos surgem no infundíbulo do folículo piloso e são envoltos por epitélio estratificado escamoso, com uma camada de células granulares, como na porção superior do folículo normal. Levando a um quadro de foliculite, provocando um processo de dermatite ulcerativa. Devido à má formação da plumagem, o aparecimento de cistos de penas são decorrentes a traumas, má nutrição, processos virais, bacterianos ou infecções parasitários.

Macroscopicamente observa-se uma massa firme, amarela e de formato globular. Histologicamente caracteriza-se pela presença de lâminas de queratina dispostas em camadas circulares. 

DESENVOLVIMENTO – CISTO DE PENAS EM CANÁRIOS

cisto de pena em canário belga

Os cistos cutâneos são caracterizados por um espaço epitelial circundado por conteúdo queratináceo, de forma isolada (único), ou de forma múltipla, sendo observados mais nas asas, no dorso ou no peito das aves. A textura do material dentro do cisto irá variar de acordo com o estado evolutivo. Cisto maduro possui um material queratinoso seco, sendo um cisto maior, mais duro e menos vascularizado. 

Dentre as aves mais suscetíveis a esta anomalia estão os canários das raças “Norwich” e “Gloster” e seus descendentes. Outras aves como Periquitos Australianos e Araras também são suscetíveis a este tipo de anormalidade, sendo raramente encontrada em Papagaios. Estas raças são geneticamente selecionadas a produzirem uma plumagem extra e acabam sendo predispostas a esta síndrome. 

TRATAMENTO – CISTO DE PENAS EM CANÁRIOS

Na remoção cirúrgica dos cistos muito cuidado com os outros folículos ou vasos sanguíneos próximos a região.

No pós-operatório, as asas devem ser imobilizadas para prevenir movimentos, até que ocorra a cicatrização completa.

Os folículos próximos devem ser lavados com solução salina morna, várias vezes ao dia.

Neste procedimento podem ocorrer hemorragias devido a incisão erroneamente, por isso, deve ser realizada por profissionais capacitados (médicos veterinários especializados), podendo ser controladas através de ligaduras com fio não absorvível 6-0 ou através de sutura simples continua da pele com fio não absorvível.

O melhor método incisivo é o uso do bisturi eletrônico para cortar e realizar a hemostasia ao mesmo tempo. Bandagens elásticas são utilizadas para o controle de pequenos sangramentos.

PREVENÇÃO – CISTO DE PENAS EM CANÁRIOS

Para evitar que o pássaro adquire uma enfermidade como descrita neste artigo, devemos prevenir com uma alimentação adequada para cada tipo de espécie de ave e o uso de vitaminas, aminoácidos e minerais na época de entrar na fase da muda. Como preventivo nas deficiências de vitaminas e minerais (Ca e D), podemos citar o Cantolindo Minerais no bebedouro e o Cantolindo Ômega 3 e 6 na farinhada ou mistura de ração, esse tratamento  deve ser administrado antes da fase da muda. Já no período da muda devemos administrar as vitaminas específicas para muda de penas, confira aqui as dicas. Não se deve esquecer de trocar a água medicada todos os dias, e sempre higienizar as gaiolas, comedouros e bebedouros.

Fonte:

Artigo publicado na revista da União dos Criadores de Pássaros de Piracicaba
Robson de Lima Carvalho – Médico Veterinário CRMV/RJ: 8541

remédio para muda de penas em pássaros

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